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domingo, 25 de outubro de 2009

Os filhos do carvão texto L.POrtuguesa 26/10/2009

Os filhos do carvão

Aposto que você não sabia que o carvão é a lenha do eucalipto queimado em fornos chamamos “rabos quentes” , sabia? E , se não sabia disso , também não deve saber que rabo quente é uma espécie de iglu ( já viu como é a casa do esquimó) , feito de tijolo e barro, que arde e estala com o fogo aceso durante três dias.
Pois é. Só que, para fazer o eucalipto virar carvão, muitas crianças têm que trabalhar junto com os pais.
Quem contou e até mostrou tudo isso para a minha professora foi a Luciene, uma menina de quinze anos , que vive numa fazenda em Água Clara ( no Mato Grosso do Sul ) . Ela tem mais dois irmãos adolescentes e duas irmãs pequenas. Todas trabalham com o pai numa carvoaria . Escute só o que mais ela falou:
“ O médico me proibiu de mexes com a fumaça , pois já tive pneumonia. Mas meu pai não agüenta trabalhar sozinho . Desde os sete anos eu ajudo ele. Comecei fazendo porta de forno , depois aprendi de tudo. Tem de transportar a lenha, botar fogo, esperar esfriar e retirar o carvão. Tem tanta coisa para se fazer numa carvoaria que, de noite, a gente dorme até em pé”.
Agora , pare um pouco e pense como deve ser horrível a gente não poder deitar em uma cama macia , cheirosa e quentinha, ainda mais quando está caindo de cansado. Pois é....
Esta história dos filhos do carvão só tem fumaça e tristeza . Se eu fosse pintar
Só usaria o lápis cinza. E o preto também, claro. Pra pintar o carvão e o “gato”.
Sabe o que é esse gato preto entre aspas? É o empreiteiro , o homem que contrata os carvoejadores e depois leva todos para morar em barracas , dentro das florestas onde estão os eucaliptos que vão virar carvão.
É ali , no meio da fumaça e longe da cidade , que famílias como a de Luciene vivem. E não é só em Água Clara . A dona Catarina disse que também em Minas Gerais , na Bahia e no Pará.
Esta história cinza-triste , me fez lembrar de amarelinha . É que minha mãe sempre me dá um pedaço de carvão quando eu quero riscar uma amarelinha na calçada .É melhor que giz , por que o preto aparece mais.
Será que essas crianças do carvão já brincaram alguma vez de amarelinha?
( Cristina Porto / Michele Lococca / Jô Azevedo , Em Serafina e a criança que trabalha, Ática, 1996.)

Um comentário:

Laís de disse...

Laís e Mikaelle:as crianças que tem de trabalhar para ajudar seus pais,eu acho que as crianças perdem a infancia de brincar,estuda e de se divertir.

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